quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
AIDS
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Cidade no interior de São Paulo proíbe uso de aparelhos celulares dentro de agências bancárias
Para o comandante da Polícia Militar Sérgio Abe, a medida dificultará a ação, uma vez que o meliante terá que sair do banco para telefonar, quando, por sua vez, poderá ser flagrado pelas câmeras de policiamento.
AGORA?
Não seria essa atitude uma forma de cercear a liberdade das pessoas? Por que, ao invés de obrigar o cidadão a sair de um estabelecimento para atender ou realizar uma chamada telefônica, que muitas vezes é urgente e imprescindível, a Lei não exige que as instituições bancárias instalem sistemas internos de segurança? Com câmeras e todos os aparatos necessários?
Será porque sairia “muito caro” para as instituições “parceiras” dos governos, financiadoras de publicidade e campanhas eleitorais de candidatos aos cargos que deveriam primar pelo bem estar social da população eleitora?
Sei lá, só a minha opinião
Fonte da notícia: WWW.g1.com.br
O Woodstock influenciou ou não o comportamento humano e qual foi o papel da mídia?
Seguindo os conceitos sobre arte e indústria cultural apontados por Hegel e Adorno, porque o Woodstock deve ser considerado como um movimento artístico?
Segundo Hegel, a arte é uma atividade que, em sua essência, nasce da necessidade do homem de manifestar suas ideias de modo que estas influenciem quem as toma. Então, surge a Indústria Cultural que, estrategicamente, se apropria do elemento artístico, transformando-o em mais um produto de consumo.
Durante as décadas de 1960 e metade da década de 1970, o mundo presenciou a primeira Guerra do Vietnã, protagonizada pelos Estados Unidos. Os milhares de vietnamitas e o grande número de soldados norte-americanos mortos nos confrontos provocou, em todo o mundo, uma onda de protestos. Artistas da música, do cinema e das artes se uniram às manifestações. E, em uma pequena cidade dos Estados Unidos, os pedidos de “paz e amor” tornaram-se o ápice daquilo que foi considerado, durante muito tempo, o início da contra-cultura. Durante três dias uma multidão parou para escutar as bandas mais conhecidas da época. O Woodstock marcou aquela que ficou conhecida como a geração paz, amor, sexo, drogas e rock and roll.
Tem-se então: a música – elemento artístico composto contra o sistema vigente na época e a liberdade de expressão em todos os níveis praticada por jovens da época. As músicas e bandas, naquele contexto, se encaixam no que Hegel descreve como arte: “...a arte não é apenas vista como um jogo sem maiores consequências, mas como uma atividade lúdica que atua sobre a vida coletiva e pode transformar o destino das sociedades, podendo ser concebida, então, como uma atividade transformadora”. Já a liberdade de expressão constitui um dos princípios da arte: “De direito, somente a produção por liberdade, isto é, por um arbítrio, que toma como fundamento de suas ações a razão, deveria denominar-se arte”.
Com esses dois elementos unidos em prol de uma única luta, a paz e o amor, lema do festival que se chamou: “Woodstock Music & Art Fair – Exposição Aquariana: Três dias de Paz & Música”, criou-se pouco tempo depois, toda uma cultura e ideologia acerca daqueles dias. A mídia se apropriou de forma violenta do Woodstock, atraída pela tentativa daqueles jovens de mudar o comportamento da sociedade conservadora vigente. As bandas e artistas participantes foram imortalizados por aquele momento. Uma delas é a irreverente Janis Joplin. As roupas, cabelos, cores e amuletos usados viraram símbolos contra a cultura vigente graças a cobertura midiática pós festival. Garotos de cabelos compridos começaram a se espalhar pelo mundo. Na época, era uma forma de dizer não ao serviço militar estado-unidense.
Hoje ainda se vê muitos garotos com cabelos compridos, então pergunto: o Woodstock realmente não influenciou todo um comportamento humano desde então? Se a mídia não tivesse dado a cobertura que deu, seja ela positiva ou negativa, o que aconteceu naquela fazenda próximo a Nova Iorque ficaria guardado apenas na memória dos que tiveram a ousadia de participar.
Mas, a mídia, reconhecendo a importância que o momento representaria para a história, se apropriou dele. Quarenta anos depois, cds, dvds, camisetas, livros, enfim, uma infinidade de produtos relacionados ao Woodstock continuam a ser vendidos.
Quantos são os garotos e garotas que ostentam em colares, braceletes e pulseiras, ou tatuam aquele que ficou mundialmente conhecido como o símbolo da paz, sem saber realmente qual o significado do círculo com os três traços dentro?
A manipulação midiática influenciou gerações. Quantos adolescentes hoje começam a escutar rock and roll após ouvirem falar no que aconteceu em 1969? Quantos usam camisetas, quantos cantam as mesmas músicas e, o mais importante, quantos fazem isso sem saber o que aquilo representou para o século XX? Ou seja, o produto foi e é vendido, criou-se toda uma rede de convencimentos e uma necessidade de consumo, mas “...na manipulação, no agir sem que haja a consciência crítica, sociopolítica e cultural...”
“Em termos culturais, essa inter-relação faz com que aquilo que é culturalmente produzido assemelhe-se a qualquer produto industrializado, incluindo toda uma estratégia de marketing objetivando levar esse produto ao público consumidor. Para a indústria cultural, tanto faz que esse produto seja um espetáculo lírico difundido pela mídia eletrônica globalizada ou um show de uma dupla sertaneja qualquer, como outro produto qualquer, que tenha gerado nas massas a necessidade de consumo. O que importa é que esse produto chegue às massas.”
A indústria cultural se apropriou do Woodstock e o transformou em um produto a ser vendido. Formou um público alvo, adolescentes e jovens de todo o mundo, e encontrou formas de transformá-lo em mercadorias que todos desejassem de algum modo.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
PSOL pede impeachment de Pavan
O pedido ocorreu após a Polícia Federal revelar a chamada “Operação Transparência”, que investigou suposto caso de corrupção envolvendo o vice-governador, a empresa Arrows Petróleo do Brasil e outras seis pessoas.
Segundo o procurador-geral de Justiça de Santa Catarina, Gercino Gomes Neto, o esquema envolveu o pagamento de R$ 100 mil para que a empresa reavesse sua inscrição na Secretaria da Fazenda. A inscrição foi cancelada porque a empresa deve impostos ao Fisco. Sem a inscrição, a Arrows não pode operar no estado.
No documento, que possuí 14 páginas, o PSOL pede o afastamento imediato do vice-governador até que a assembleia termine as investigações. O PSOL também pede a cópia integral do processo que tramita no Tribunal de Justiça, incluindo os vídeos e áudios que comprovariam as acusações contra o vice-governador. O PSOL acredita que essas imagens podem tirar todas as dúvidas sobre o caso. No momento, as imagens estão em segredo de justiça e não foram reveladas a público.
O pedido deverá ser analisado pela Assembleia a partir do dia 4 de fevereiro, quando os deputados retornam do recesso parlamentar.http://www.psolsc.org.br/noticias/psol-entra-com-impeachment-de-pavan.html
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Apologia à BARBÁRIE
Em 30 de novembro de 1979, milhares de pessoas tomaram as ruas centrais da capital para manifestar o repúdio ao regime opressor, resultando na prisão de sete estudantes universitários da Universidade Federal de Santa Catarina. O estopim das manifestações organizadas pelo Diretório Central dos Estudantes da UFSC foi a visita do general Figueiredo, ditador da vez. João Baptista Figueiredo veio a Santa Catarina para participar das homenagens ao Marechal Floriano Peixoto, que governou com mãos de ferro a antiga Desterro – hoje Florianópolis (cidade de Floriano) no final do século XIX, aprisionando contrários ao seu governo.
Prates afirma que a “Novembrada foi uma reação de perdedores, de fracassados” e que “o general Figueiredo nos ensinou o caminho da verdadeira luta e democracia”. Será que o grande reacionário jornalista Luiz Carlos Prates nunca leu o livro: “Brasil: Nunca Mais”, que traz depoimento de vítimas torturadas por militares durante o período de ferro? Segue trecho do livro:
“A estudante Dulce Chaves Pandolfi, 24 anos, foi obrigada também a servir de cobaia no quartel da Rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, de acordo com petição anexada aos autos em 1970:
(...) Na Polícia do Exército, a supte. foi submetida a espancamento inteiramente despida, bem como a choques elétricos e outros suplícios, como o “pau-de-arara”. Depois conduzida à cela, onde foi assistida por médico, a supte foi, após algum tempo novamente seviciada com requintes de crueldades numa demonstração de como deveria ser feita a tortura; (...)
Em seu depoimento na Justiça Militar, Dulce reitera a denúncia: ... que no dia 14 de outubro foi retirada da cela e levada onde estavam presentes mais de vinte oficiais e fizeram demonstração de tortura com a depoente; (...)”
Este é apenas um dos vários relatos do livro, que incluem mortes nas prisões militares, sequestros e desaparecimento de presos políticos. As formas e os instrumentos praticados na tortura também estão descritos com riqueza de detalhes, como a “Cadeira do Dragão”. Segue trecho:
“A ‘Cadeira do Dragão’ de São Paulo
(...) sentou-se numa cadeira conhecida como cadeira do dragão, que é uma cadeira extremamente pesada, cujo assento é de zinco, e que na parte posterior tem uma proeminência para ser introduzido um dos terminais da máquina de choque chamado magneto; que, além disso, a cadeira apresentava uma travessa de madeira que empurrava as suas pernas para trás, de modo que a cada espasmo de descarga as suas pernas batessem na travessa citada, provocando ferimentos profundos (...)
(...) também recebeu choques elétricos, cadeira do ‘dragão’ que é uma cadeira elétrica de alumínio, tudo isso visando obtenção de suas declarações (...)
(...) despida brutalmente pelos policiais, fui sentada na ‘cadeira do dragão’, sobre uma placa metálica, pés e mãos amarrados, fios elétricos ligados ao corpo tocando língua, ouvidos, olhos, pulsos, seios e órgãos genitais. (...)”.
Após assistir o vídeo e ouvir as frases: “desde quando fomos proibidos de ir e vir” e “o Brasil andou para trás de lá para cá”, conclui: a liberdade existia para aqueles que foram cúmplices dos crimes aplicados contra aqueles que foram assassinados, espancados e seqüestrados apenas por pensar diferente e por lutarem por um país mais justo e igualitário. Quanto ao crescimento da economia brasileira, ele se deu graças ao crescimento das desigualdades sociais, do número de pobres, pela preferência ao ensino técnico, especializado em construir operários para as multinacionais que exploram ainda hoje o país, em detrimento ao social. Crescimento esse onde o ensino de qualidade se transformou em artigo de luxo e as universidades públicas, que Prates com tanto orgulho diz que se multiplicaram, transformaram-se em escolas que só os filhos da grande burguesia podiam frequentar... Esta realidade continua se repetindo.
De lá para cá o Brasil não andou para trás. Casos de corrupção foram revelados justamente porque jornalistas finalmente puderam exercer sua profissão com um pouco mais de liberdade. À época, seriam torturados e exilados, como também aconteceu com aqueles que desejavam gritar as mazelas da população e as injustiças da Ditadura Militar através da arte, da poesia e da música. De lá para cá o Brasil vem construindo sua liberdade, infelizmente agora cerceada pela “Ditadura do capital e da Globalização”.
João Batista Figueiredo não foi um herói, como disse Prates, assim como nenhum dos demais comandantes militares que tomaram o Governo Federal. Mas sim, mais um líder da quadrilha. Apesar de conceder a anistia aos exilados políticos pelo AI-5, Figueiredo perdoou os crimes políticos exercidos pelos órgãos da segurança nacional: as torturas, assassinatos e sequestros cometidos pelos militares foram perdoados.
Apesar da promessa de manter a “mão estendida em conciliação” e de jurar “fazer deste país uma democracia”, durante os seis anos em que comandou o país, a dívida externa nacional ultrapassou os 100 milhões de dólares e os juros alavancaram de 45% ao mês a 230% ao longo de todo o período. Foi substituído por Tancredo Neves, eleito por “eleições diretas”, que não chegou a governar, sendo substituído pelo vice José Sarney, que dispensa comentários.
Algumas das frases daquele que para Prates “ensinou o caminho da verdadeira luta e democracia” ao povo brasileiro:
"Prefiro cheiro de cavalo do que cheiro de povo".
"AI-5? Quem é esse menino?".
"Uma coisa que nunca entendi é porque todo artista, esse tal de Caetano Veloso por exemplo, tem de ser dessa tal de esquerda".
Luiz Carlos Prates e a emissora que ele representa devem desculpas à população. Às centenas de homens e mulheres que tiveram suas vidas marcadas pela ditadura militar. Às mulheres que foram violentadas, que sofreram abortos, que ficaram viúvas, que perderam filhos, que perderam a esperança e vivem hoje com medo do desconhecido. Às crianças órfãs. Aos homens torturados e violentados. Àqueles expulsos do país, que sofreram com a saudade e hostilidade do exterior. Devem desculpas aos familiares dos mortos e desaparecidos, famílias estas que ainda esperam seus entes queridos entrarem pela porta de casa.
RBS e Prates, o Brasil merece desculpas!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Direito ao delírio
O tempo zomba dos limites que lhe atribuímos para crer na fantasia de que nos obedece; mas o mundo inteiro celebra e teme essa fronteira.
Um convite ao vôo
Milênio vai, milênio vem, a ocasião é propícia para que os oradores de inflamado verbo discursem sobre os destinos da humanidade e para que os porta-vozes da ira de Deus anunciem o fim do mundo e o aniquilamento geral, enquanto o tempo, de boca fechada, continua sua caminhada ao longo da eternidade e do mistério.
Verdade seja dita, não há quem resista; numa data assim, por arbitrária que seja , qualquer um sente a tentação de perguntar-se como será o tempo que será. E vá-se lá o tempo que será. Temos uma única certeza: no século 21, se ainda estivermos aqui, todos nós seremos gente do século passado e, pior ainda, do milênio passado.
Embora não possamos adivinhar o tempo que será temos, sim, o direito de imaginar o que queremos que seja. Em 1948 e em 1976, as Nações Unidas proclamaram extensas listas de Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade só tem o direito de ver, ouvir e calar. Que tal começarmos a exercer o jamais direito de sonhar? Que tal delirarmos um pouquinho? Vamos fixar o olhar num ponto além da infâmia para adivinhar outro mundo possível: o ar estará livre de todo o veneno que não vier dos medos humanos e das paixões humanas; nas ruas, os automóveis serão esmagados pelos cães; as pessoas não serão dirigidas pelos automóveis, nem programadas pelo computador, nem compradas pelo supermercado e nem olhadas pelo televisor; o televisor deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de passar e a máquina de lavar roupas; as pessoas trabalharão para viver, em vez de viver para trabalhar; será incorporado aos códigos penais o delito da estupidez, cometido por aqueles que vivem para ter e para ganhar, em vez de viver apenas por viver, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca; em nenhum país serão presos os jovens que se negarem a prestar o serviço militar, mas irão para a cadeia os que desejarem prestá-lo; os economistas não chamarão nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida a quantidade de coisas; os cozinheiros não acreditarão que as lagostas gostem de ser fervidas vivas; os historiadores não acreditarão que os países gostem de ser invadidos; os políticos não acreditarão que os pobres gostem de comer promessas; a solenidade deixará de ser uma virtude; a morte e o dinheiro perderão seus mágicos poderes, e nem por falecimento ou fortuna o canalha será transformado em virtuoso cavalheiro; ninguém será considerado herói nem idiota por fazer o que crê seja justo, em lugar de fazer o quem mais lhe convém.
O mundo já não se encontrará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza, e a indústria militar não terá outro caminho senão declarar a falência. A comida não será uma mercadoria, nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos. Ninguém morrerá de fome porque ninguém morrerá de indigestão. As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua. Os meninos ricos não serão tratadas como se fossem dinheiro porque não existirão meninos ricos; a educação não será um privilégio de quem possa pagá-la; a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la; a justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, tornarão a unir-se, bem juntinhas, ombro-a-ombro; uma mulher, negra, será presidenta do Brasil e outra mulher, negra, será presidenta dos Estados Unidos da América; uma mulher indígena governará a Guatemala e outra o Perú; na Argentina, as loucas da Praça de Mayo serão o exemplo de saúde mental porque se negaram a esquecer dos tempos da amnésia obrigatória; a Santa Madre Igreja corrigirá os erros das tábuas de Moisés, e o sexto mandamento ordenará que se festeje o corpo; a Igreja também ditará outro mandamento, do qual Deus se esqueceu: “amarás a natureza da qual fazes parte”; serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma; os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são os que se desesperaram de tanto esperar e os que se perderam de tanto procurar; seremos compatriotas de todos os que tenham vontade de justiça e vontade de beleza, tenham nascido onde tenham nascido e tenham vivido onde tenham vivido, sem que importe nem um pouco as fronteiras do mapa ou do tempo; a perfeição continuará sendo um aborrecido privilégio dos deuses; mas, neste mundo confuso e fastidioso, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro.”
Eduardo galeano ~ Patas arriba La escuela del mundo al revés.
Livre traduação de Sérgio Homrich e Airton Sudbrack
domingo, 20 de dezembro de 2009
Somos todos um - Robert Happé
Ao final a mensagem é uma só: o mundo precisa redescobrir a importância do AMOR...

